sábado, 16 de agosto de 2014

Viúva relembra a última conversa com Eduardo Campos

No fim do dia de quinta-feira, o movimento na casa da família Campos estava intenso. Eram muitos os familiares, amigos e políticos que acompanharam desde sempre a trajetória de Eduardo Campos e queriam estar perto de “dona Renata”, como ele chamava a mulher, e dos cinco filhos do casal. O ambiente era dolorido e, em quase todos os rostos, olhos marejados e expressões de consternação.
Eram dezenas de pessoas reunidas na parte externa, divididas entre a varanda e a área arborizada ao redor da piscina. Quase todas de pé. Em torno do bebê Miguel, filho caçula do casal, que passava de colo em colo, estavam os únicos sorrisos visíveis na casa. Dona Renata surpreendia a todos. Talvez por ainda não ter realizado a perda tão inesperada, ela se mostrava forte, até leve, andando entre as pessoas e conversando com os que lhe procuravam para apresentar condolências.
Não caiu em prantos publicamente, apesar do olhar avermelhado, que carregava ainda na noite de ontem, de quem está sentindo a dor como uma força constante. Às vezes, parecia ser ela quem tranquilizava seus interlocutores. Ela contou sua última conversa por telefone com o marido: haviam falado sobre o perfil das possíveis primeiras-damas, ela e Letícia Weber, mulher de Aécio Neves, que havia sido publicado no Globo no dia do acidente.Renata estava já no avião, embarcando do Rio de Janeiro para Recife, na manhã de terça-feira, quando recebeu o telefonema de Eduardo. Ele brincou:
— Olhe, você saiu no jornal!
Ela, espirituosa, respondeu:
— Ah, é? E você, escapou? — pergunta que costumava fazer sempre que a família sabia que sairia uma reportagem sobre o marido.
Eduardo retrucou:
— Disseram lá que você manda em mim!
Dona Renata riu e pediu que ele lhe enviasse uma cópia do texto. Desligou o telefone e voou. Quando desembarcou em Recife, ligou o aparelho e a primeira mensagem que entrou foi a foto reproduzindo a reportagem. Também foi a última mensagem que recebeu do marido.
Ontem, ela contava essa história como se fosse mais uma conversa trivial e não a última entre marido e mulher.
— Não estava no script — concluiu Renata, repetindo uma expressão que vem usando a muitos que se aproximam para consolá-la.

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